segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Joyeux Noel et Bonne Année


Tive, nesses últimos dias, algumas demonstrações lindas de afeto de alguns queridos amigos e também da minha família.. aos que leram a trilogia do concurso, e acompanharam o dramarama que foi o Dia 03, peço que não se preocupem.. isso agora já é passado e já faço piada sobre o assunto.. foi de fato um dia ruim, aliás, péssimo.. mas passou.. como passam os dias.. e o senhor Tempo, o grande deus grego Kronos, é de uma sabedoria incrível e encontra as melhores soluções para os problemas mais complexos..
E, além disso, é Natal!!! ho ho ho
(quer dizer já passou né? mas vcs entenderam)
e isso significa: recesso de trabalho, férias com a família, dias em Barra da Estiva, comidas!! (nham-nham) e todas essas coisinhas boas que acompanham o bom velhinho (ok, sem esquecer as tais mensagens cristãs de amor e paz e reflexão... meditar e coisa e tal..)
fato é: que o Natal esse ano foi um dos melhores ever!! eu estava tão afim de não me estressar e de não me aborrecer, que resultado: foi só tranquilidade.. as pessoas viravam para mim perguntando: o que iríamos fazer, como ia ser a ceia desse ano, que dinâmicas faríamos, que leituras e reflexões iríamos propor para a familia, o que fazer para a ceia, vamos fazer os papeizinhos do amigo secreto, quem vai participar, o que eu compro pro meu amigo... e tudo o que eu conseguia dizer era: relaxe... tudo vai se resolver, tudo vai se encaixar.. tudo vai dar certo e terminar bem.. e como de fato.. tudo se encaixou, tudo se resolveu, e tudo ficou ótimo!! clima de paz e harmonia como há muito tempo nossa família não via.. o Natal do ano passado que o diga.. ficou para a história como o mais tenso de todos os tempos.. quem viveu, viu.. quem não viveu, nunca saberá...

e o Ano Novo se anuncia...
2009.. dois mil INOVE... adorei essa!!!
e realmente, é com esse espírito de buscar INOVAÇÃO que quero começar esse novo ano..
sempre tem aquelas velhas promessas de ano novo, né? nova dieta, fazer exercícios, fazer listinha de coisas que terei que fazer.. novo corte de cabelo, novo emprego, ter uma casa para chamar de minha, viajar.. e claro, as promessas chatas acadêmicas: publicar, publicar publicar.. meu PIA (Periódico Internacional A) vai ter q sair em 2009!! e tenho dito!
enfim... muitos planos, muitos sonhos, muitas coisas para realizar..
engraçado que quando eu voltei da França e revivi tudo o que eu tinha sonhado em fazer quando eu tinha 10 anos, me bateu uma super depressão, porque eu vi que já tinha feito tudo o que eu tinha me proposto na vida!! e eu tinha apenas 32 anos!! e pensei! meu deus... eu já posso morrer!!! sério, bateu neura total... eu vi que tudo o que eu queria fazer eu já tinha feito... não havia mais porque nem para que acordar todas as manhãs..
mas daí eu percebi que apenas era hora de renovar os meus sonhos.. traçar outros, criar novos desafios.. e sempre aparecem, não é? é incrível.. basta dar asas à imaginação e aos pensamentos que imediatamente brotam vários projetos aparentemente impossíveis, que tornam a vida totalmente excitante!!
e é nesse ponto exato em que me encontro agora.. e justo em dois mil INOVE...
deve ter alguma relação cabalística nisso tudo...
então.. só me resta correr atrás de realizar esses sonhos.. e que venham os próximos 32 anos!!!
agora, com menos dias de dramarama, por favor!!

(P.S.: As fotos dessa postagem são da minha querida cidade natal BARRA DA ESTIVA-BA.. pequena cidade da belíssima região da Chapada Diamantina - BA.. vale uma visita!!)





começar de novo...

Non! Rien de rien
(Não! nada de nada)
Non! Je ne regrette rien
(Não! Eu não lamento nada...)
Ni le bien qu'on m'a fait
(Nem o bem que me fizeram)
Ni le mal
(Nem o mal)
tout ça m'est bien égal!
(isso tudo dá no mesmo para mim)

Non! Rien de rien
(Não! nada de nada)
Non! Je ne regrette rien
(Não! Eu não lamento nada...)
C'est payé, balayé, oublié
(Está pago, varrido, esquecido)
Je me fous du passé!
(Não me importa o passado!)

Avec mes souvenirs
(Com as minhas lembranças)
J'ai allumé le feu
(Eu acendi o fogo)
Mes chagrins, mes plaisirs
(Minhas mágoas, meus prazeres)
Je n'ai plus besoin d'eux!
(Não preciso mais deles!)

Balayées les amours
(Varridos os amores)
Et tous leurs trémolos
(E todos os seus temores)
Balayés pour toujours
(Varridos para sempre)
Je repars à zéro
(Eu recomeço do zero)

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Eu vim da Bahia..
mas eu volto pra lá!
Eu vim da Bahia...
mas algum dia eu volto pra lá!

ô Bahia, ai ai
Bahia, amor que a gente não explica, ai ai
ô Bahia, ai ai
Bahia que não me sai do pensamento ai ai

~~~~~~~~~~~~~~~~

As agruras de ter um nome incomum

Cena 1 [ext] (portaria de um edifício residencial)
V.: Bom dia, o Mauro, por favor?
porteiro: Seu nome, por gentileza?
V.: Vaninha
porteiro: Só um minuto... Sr. Mauro? a DONA VANIA está aqui...
V.: =/


Cena 2 [int] (solenidade de defesa - uma sala da UFPE)

presidente da banca: Daremos início agora à defesa de qualificação do doutorado da aluna Vaninha..... mas... é Vaninha mesmo!!?? achei que era Vânia!
(todos riem)
(V. dá um sorrisinho amarelo e pensa: até tu, Brutus??)


Cena 3 [ext] (Repartição pública. Fila para tirar RG)

funcionário: Seu nome, por favor?
V.: Vaninha Vieira
funcionário: Vaninha? Não seria Vânia?
V.: Não senhor, é Vaninha. Assim mesmo, no diminutivo (e pensa: acha que não sei o meu próprio nome??)
funcionário: Olha, vou falar com meu supervisor, mas acho que a senhora não vai poder tirar o seu RG não. Vaninha não é nome, é apelido!! Quem foi que registrou a senhora assim??
V.: =/
(e pensa: pra que lugar devo mandar o senhor mesmo??)
(e ainda: ah, mainha, minha mãe... porque?? me diga, porque??!!)



Cena 4 [int] (Uma academia de fisioterapia em Paris, França)

V.: Bonjour, je viens pour le kiné.
kiné: D'accord. Quelle est votre nom?
V.: Vaninha Vieira
kiné: Vániná? ah la la... comme la chanson de Dave?
V.: Quelle chanson? C'est qui Dave?
kiné: Tu ne connais pas?? Marcel!! Tu te souviens de la chanson de Dave, Vanina?
Marcel: "Vanina, rappeles-toi... Vanina, si tu m'oublies... Vanina ha ha ha..."
kiné: Oui, oui, exactement... Vanina ha ha ha ...
V.: ah bon? c'est genial!!! =/
(et pense: raios!! mas, nem na França???)

(tradução)
V.: Bom dia. Vim para a fisioterapia.
fisio: Ok. Qual é o seu nome?
V.: Vaninha Vieira
fisio: Vániná? ah la la... como na música de Dave?
V.: Que música? Quem é Dave?
fisio: Você não conhece?? Marcel!! Você se lembra da canção de Dave, Vanina?
Marcel: "Vanina, lembre-se... Vanina, se você me esquecer... Vanina ha ha ha..."
fisio: Sim, sim, isso mesmo... Vanina ha ha ha ...
V.: ah é é? que massa!!! =/ (e pensa: raios!! mas, nem na França???)

Pra quem quiser conhecer essa música breguíssima dessa figura ímpar chamada Dave, aqui está o vídeo.. Vanina.. eu mereço! E coincidência é que ela estourou justo no ano em que eu nasci!!


Esse post foi inspirado no PHD Comics da semana passada:


Dedico aos amigos Helô (que não é Heloísa), Therezinha (que não é Thereza), Silvinha (que não é Sílvia), Serginho (que não é Sergio), outras Vaninhas (sim sim existem outras!), Tom, Zeca, Fred, Moreno, Preta, Brisa, Manhã, Ed, e todos os que já foram vítima de alguma piadinha por portar um nome incomum...

Música: Remédio da Alma...

Será que ainda tem alguém que acompanha esse blog? Se tiver, pode deixar um comment please, só pra me manter motivada? rsrsrs

quando comecei a escrever esse blog eu estava em um momento de muita angústia, dúvidas, desânimos, etc e tal.. aqueles sentimentos que quem já passou pela fase "tese de doutorado" na vida entende muito bem!
aliás, acho ótimo conversar com um doutorando ou um já doutorado sobre as agruras da tese.. sim, pq qdo vc fala disso com outras pessoas o povo simplesmente não entende.. "4 anos pra escrever 170 páginas?? fala sério!! onde está a dificuldade nisso???"
fato é: que é muito bom ser compreendido, né? encontrar pessoas q falem a mesma língua que você, que entenda das mesmas dores, que sofram dos mesmos dilemas, medos e fobias.. que não te julguem forte ou fraco pelo que você esteja vivendo..

e o que isso tem a ver com o título do post?
ora, mas tem tudo a ver!!
para quem ainda não sabe eu voltei a morar em Salvador.. (inclusive, passei por uns dilemas meio sinistros desse negócio de girar mundo e voltar exatamente pro mesmo lugar, mesmo ponto de onde saí há 8 anos atrás.. mas isso é assunto para um outro post)
bem, e esse retorno a Salvador trouxe de volta muitas coisas que eu nem lembrava o quão boas eram.. e fundamentais para a minha felicidade pessoal..
Dentre essas várias coisas está o Coronlaine!!
Quem não sabe do que se trata, por favor clique no play desse videozinho antigo (no qual, inclusive, eu apareço cantando rsrs..)



Então!!
O Coronlaine é um grupo de canto performático, regido e dirigido pelo maestro Cícero Alves Filho. Esse grupo foi e é responsável por alguns dos momentos mais mágicos da minha vida. E a razão para isso são na verdade duas: a primeira é que esse grupo tem o poder mágico de reunir pessoas iluminadas.. sabe aquelas pessoas que dá a maior vontade de ficar perto, por tantas afinidades compartilhadas?? Cada ensaio é uma festa da alma.. o corpo sai cansado, a voz exausta, mas a alma sai levinha e solta.. uma delícia..
e a segunda razão é justamente o poder medicinal da música.. fiquei um tempo afastada do mundo da música.. mas cada vez mais vejo que música é uma parte fundamental do que eu sou.. conviver com pessoas que vibram nessa sintonia me faz muito bem.. a sintonia do amor pela música e do seu poder de curar e de unir as pessoas..

Falando em unir pessoas por meio da música, me deparei esses dias com um projeto simplesmente lindo demais.. que me comoveu a ponto de me fazer chorar.. chamado Playing for change (ou "tocando para mudar")

Falarei mais sobre esse projeto em outros posts (porque fiquei realmente maravilhada com a proposta e os produtos).. por ora, convido-os, fortemente, a assistir esse vídeo lindo.. tem outros maravilhosos, mas esse foi o que me fez chorar na cena final... de pura emoção.. Quem nunca se emocionou com uma canção bem cantada, não pode dizer que tem coração..

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

A Escrava #327


No processo de auto conhecimento passei por muitas experiências marcantes. Uma delas foi uma vivência com um grupo de mulheres sobre o arquétipo feminino da Escrava. 


O Arquétipo da Escrava, dentre tantas coisas, fala de um feminino que:
  • não fala / não reclama
  • se submete para evitar conflitos
  • não precisa decidir (os outros decidem por mim)
  • aceita que peçam mais e mais ("ah, o que é que tem? eu posso fazer isso!)
  • não tem poder ativo (não toma as suas decisões, não faz as suas escolhas)
  • não sente prazer, não busca sozinha por coisas que lhe dêem prazer
  • não tem poder pessoal (poder interno ativo) 
  • se sente vítima das pessoas e situações, acredita que é vítima do entorno
  • não cria as oportunidades e caminhos: é conduzida, empurrada, na inércia.

Sair do arquétipo da Escrava é o primeiro passo para renascer!

Sair do padrão implica em parar de colocar o dedo na cara dos outros responsabilizando o outro. Assumir a autorresponsabilidade!


Na vivência eu era a Escrava #327, que atende por um número, sem nome. A vivência implica em ficar nua, de joelhos, de cara pra parede, com uma coleira feia no pescoço, e uma mordaça na boca, fique em meditação por 20 minutos, sustentando a postura desconfortável, a dor que vier, a sensação de submissão e vergonha. Sentir. Deixar Vir. Aceitar tudo o que vier. Ao final, em posição fetal, respirar e receber a nutrição da mãe Terra. E aos poucos ir tocando o seu corpo, se abraçando, se acariciando, se libertando da coleira, da mordaça, e finalmente se vestir com todo o amor.


Alguns questionamentos que você pode fazer à sua Escrava.
  • Porque aguento a dor?
  • Porque sustento esse lugar?
  • Como sustento a escrava no lugar dela?
  • Como sustento o prazer e a luz em minha vida?
  • O que me cala?
  • O que se cala em mim?

Como a Escrava lida com o mundo?

Lei da escassez ou lei da abundância?

Lei da escassez: medo e culpa
medo do desconhecido (futuro, relação, oportunidades)
culpa pelo passado (o que não fez, o que deu errado, o que fizeram)

Agir como vítima
sempre sofrendo por algo
necessidade de atacar


Eu me eduquei, me preparei para me encaixar no mundo ou para criar um mundo para mim?


Escravo é quem vai contra a sua própria natureza. 

Ser livre é agir de acordo com a sua natureza.

Só cria quem é livre.

Só uma pessoa livre decide os hábitos que tem.

Só alguém livre é capaz de receber com a mesma gratidão que doa.



A foto desse post é de uma vivência real, chamada A Coleira, realizada nas ruas de Recife, que pode ser lida vista: http://nextope.com/blog/a-coleira/

domingo, 23 de fevereiro de 2020

Quem Sou Eu?


Quem Sou Eu?
De onde Vim?
Porque vim?
Porque estou aqui?
O que me faz feliz? ou triste?
O que dá sentido à minha existência?
Quanto tempo ainda tenho para realizar?
E o que é mesmo que preciso ainda realizar?
A Terra me nutre.
Me conecta a emoções básicas muito profundas e dolorosas.
Recebo a nutrição, mas percebo um anseio muito forte em lutar, em sobreviver.
O outro é um inimigo. Preciso combatê-lo! Preciso fugir dele!
É perigoso viver aqui! É frio! É ameaçador!
O toque do meu corpo com a Terra desperta a fome interna.
Um lamento profundo.
Luto para me locomover.
Me escondo e fujo do contato com o outro.
Percebo outros seres movendo-se em minha direção.
Parecem querer o meu contato. A minha presença. A minha companhia.
Ofereço o mínimo de mim. O outro é ameaça. O outro quer tirar algo de mim.
Não posso permitir o contato. Não posso permitir que se aproxime.
A fúria interna me assola e me domina.
Quero atacar para me defender.
Me sinto só.
Doi estar em contato. Doi estar só.
É ameaçador estar em contato. É triste estar só.
Meu estômago doi quando o outro se aproxima. Sinto o perigo. Me protejo.
O coração doi quando o outro se afasta. Me encolho na caverna.
Pensamentos aparecem. Analiso quem sou e meu comportamento.
Questiono essa dualidade que me conduz.
Desejo interromper esse fluxo e ser mais presença e mais presente.
Reflito que posso e que é seguro permitir que o outro se aproxime
com o que tem e pode oferecer,
se eu reduzir as minhas expectativas e ansiedades,
de que seja exatamente do jeito que eu quiser.
O outro não é o inimigo, diz a minha mente,
a dificuldade em estabelecer e defender limites sim;
a mania de criar expectativas exageradas,
a característica de fugir da realidade,
de não enxergar a vida exatamente como ela é, e o outro exatamente como é,
e o lápis cor de rosa pintando histórias e criando ilusões para massagear o ego
que me tiram da realidade do aqui e agora, da vida real, e projetam fantasias
Quando consigo me conecta ao amor, à compaixão, e à empatia
usando o córtex neo frontal que possuo,
olhar para o outro torna-se fácil, seguro e natural.
Não preciso desviar o olhar.
Não preciso que ele/ela me olhe de volta.
Apenas olho, aprecio,
e entrego o sentimento mais puro que posso oferecer naquele momento
E dessa oferenda me nutro e me permito ser também
esse olhar doce e amoroso pra mim.
Para o que dou conta nesse momento.
Apenas o que dou conta nesse momento.
Perdoando toda a incapacidade de ser mais e celebrando não ser menos.
Sou o que aqui se apresenta.
Consciente de que daqui a pouquinho posso nem ser mais.
Porque outra coisa já chegou e tomou esse lugar.
E tudo bem!
Tudo fluindo na direção do bem  viver. Do bem estar.
Do bem amar. Do bem maior. Do bem. Do querer bem.
Me amo! Nos Amo! Amo! Sou Amor!
É isso o que eu sou!
É isso o que eu vim manifestar aqui!
AMAR!
Esse é o meu propósito na Terra.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Celebração Primeira



Era noite quando eu nasci. 
Minha mãe se lembra de ter sido tarde. Não tão tarde pra já considerarmos madrugada. Não era madrugada. Era noite. Ela lembra que chamaram a parteira depois do anoitecer. Então acho que não dei muito trabalho para chegar. Apenas o espaço de uma noite, entre o entardecer e ainda antes da madrugada. Isso sim. Não era madrugada. Precisei dessa informação tão importante quando fui fazer o mapa astral, e a astróloga me pediu a hora de nascimento, disse que era pra saber qual era o Ascendente, informação das mais importantes. Na minha certidão de nascimento diz que nasci às 11 horas da manhã. Confiei no documento. Se diz que foi de manhã, então sim, às 11 horas. Bem. O fato é que não deu nada certo com esta hora. A Astróloga começou a ler o mapa, ficou incomodada, e de repente parou e falou: tem certeza mesmo que essa foi a hora que você nasceu? Ascendente em escorpião, era o que dizia. Bem, a astróloga garantiu que não era. Tudo bem que morte e renascimento são temas bem recorrentes na minha história. Sempre no fio da navalha. Mas não. Não foi de manhã. E nem de madrugada. Isso não foi. Sim, era de noite. Minha mãe disse que umas dez horas da noite, por aí. Quando alguém fala dessa forma, como saber a hora exata? Pode parecer uma informação insignificante, você pode pensar. Porque raios você precisa tanto saber a hora exata que nasceu? Bem, não só a hora exata importa. O local exato também. Se não nascesse onde nasci, mas em outro lugar qualquer do planeta, toda a configuração mudaria. Eu seria de fato outra pessoa. Isso quem diz não sou eu. São os cientistas da astrologia, que estudam a influência dos astros sobre cada ser vivente do globo terrestre, humano ou não humano. Então dá pra entender a minha inquietação em saber a hora exata em que nasci. Não ter essa informação é como se parte de mim não pudesse nunca ser desvendada pela ciência. Teria que ser experimentada de forma empírica, ad hoc, sei lá com quais instrumentos. Usar a intuição. Se sei a hora exata é bem simples. Seu ascendente é Áries, caso a hora tenha sido por volta das dez horas como minha mãe me disse. Se por um mero acaso, as dores das contrações distraíram alguns minutos a mais minha mãe Capricorniana, então tudo mudou. Se é às 22h30 meu ascendente já é Touro. E qualquer pessoa que conheça minimamente de astrologia entende o que eu tô falando. Ascendente em Áries, ou em Touro, ou ainda em Escorpião, muda tudo. Não! Preciso saber a hora exata. Ainda não tenho essa informação. Sigo com o "lá pelas dez horas da noite", fazendo algumas estimativas entre a chamada da parteira ao entardecer, e a certeza de que não foi de madrugada. Não, não foi. De madrugada não foi. Áries é a escolha. Foi o que disseram duas, ou talvez, três astrólogas diferentes. Áries! Com certeza, você é Áries. Você acha que pode ser Touro, por causa da Cauda do Dragão. Sua Cabeça do Dragão é em Escorpião, e por isso mesmo, a Cauda do Dragão é em Touro, pois são opostos complementares. Tá explicada a minha conexão com os temas recorrentes de morte e renascimento. E com os Dragões. 

Então é isso! Fui batizada Vaninha Vieira dos Santos, e consta que nasci já na cidade de Barra da Estiva, na Bahia, região Nordeste do Brasil, em uma casa de blocos, emassada, e pintada, no dia 14 de Agosto do ano de 1975, lá pelas dez horas da noite. No quarto onde nasci estavam a minha mãe, entregue ao seu 11o e último parto, em 21 anos de atividade gestacional, o meu pai (para minha enorme surpresa, que só descobri tempos depois quando estava no exercício de "tomar o pai", das constelações familiares), e a parteira da cidade, dona Alcina, que por ser parteira e o primeiro ser humano a ver a gente, a maioria dos moradores chamavam de Vó Cina. Quando imagino a cena deste quarto, me comovo. Acho romântico. Pai, Mãe, Parteira. Apenas isso. Bem minimalista. Entre o anoitecer e a madrugada. Mas antes da madrugada. E após o sol se por. Nessa hora da familia reunida na sala após o jantar, pra assistir juntos à novela. Nessa hora de sair com os amigos para celebrar o dia, nos famosos happy hour. Nessa exata hora em que todas as pessoas do mundo celebram o encerramento de mais um dia. A derradeira filha nascida na hora da celebração. Chego a uma bonita conclusão nesse instante: Eu sou a celebração do meu pai e da minha mãe. Nascida sob o signo solar de Leão, a criança, o sol, a alegria. Com Ascendente em Áries (definitivamente é Aries), e a Lua em Sagitário. Não havia fogueira, na noite em que nasci, até onde eu sei. Mas bem que poderia ter tido. O Fogo chegou anunciando a minha existência. Não à toa, é a ele que recorro sempre que preciso me lembrar quem sou. Ele me diz, me ensina, me orienta, me recoloca no eixo.